Marinha produzirá respiradores de baixo custo da USP

Previsão é que o primeiro lote dos equipamentos seja distribuído nas próximas semanas

A USP e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) se preparam para iniciar a produção em escala do ventilador pulmonar emergencial Inspire. Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar da Escola Politécnica (Poli), o equipamento pode ser produzido em até duas horas por um custo até quinze vezes inferior em relação a outros exemplares no mercado. De acordo com informações do Jornal da USP, a estrutura de produção dos ventiladores pulmonares já foi concluída. A previsão é começar os testes de manufatura do primeiro lote nos próximos dias e iniciar a distribuição dos aparelhos em duas semanas. A CTMSP estima ter a capacidade de fabricar entre 25 e 50 ventiladores pulmonares por dia, com a possibilidade de ampliar essa quantidade caso seja necessário. O Inspire foi idealizado em março com a proposta de oferecer uma alternativa nacional para suprir demandas emergenciais de ventiladores pulmonares diante da pandemia do novo coronavírus. O ventilador pulmonar é um recurso essencial para tratar pacientes com quadros graves de Covid-19. Os equipamentos ajudam a manter a atividade dos pulmões quando os órgãos não conseguem garantir trocas suficientes de oxigênio e gás carbônico do corpo sozinhos.

Testes e aprovação

Em abril, o produto brasileiro foi aprovado em testes com quatro pacientes do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP. Os experimentos não apontaram qualquer tipo de problema de uso. No entanto, para que possa ser distribuído pelo Brasil, o ventilador pulmonar Inspire ainda precisa passar pela aprovação da Anvisa.

Segundo o informações do UOL, a agência costuma demorar mais de um ano para emitir toda a documentação de regulação de um produto, porém a equipe coordenada pelos professores Marcelo Zuffo e Raúl Lima deve obter uma aprovação de caráter emergencial por meio de um projeto de pesquisa clínica, com alguns testes prévios e a supervisão de médicos ou técnicos da área de saúde. Em troca, o órgão federal autorizou somente a doação do equipamento e vetou sua comercialização.

O ventilador pulmonar foi desenvolvido com uma licença aberta. Isso significa que qualquer organização pode se apropriar do projeto dos aparelhos sem a necessidade de pagar royalties aos criadores do produto. A ideia é facilitar a produção e disponibilidade do equipamento no mercado para suprir a demanda. No entanto, é preciso que cada um dos fabricantes obtenha uma licença própria da Anvisa para produzir o ventilador. O Inspire ainda conta com a participação de pesquisadores de diversas unidades da USP e outras instituições, e conta com doações de parceiros da iniciativa privada. De acordo com o UOL, a equipe também vai entrar com um processo convencional de aprovação na Anvisa, para que futuramente o ventilador pulmonar possa ser explorado pelo terceiro setor.

Fonte: Jornal da USP/UOL

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